Advogado é investigado por cobrar, pelo celular, parte de honorários de clientes em drogas

http://goo.gl/5zvZI2 | Um advogado de Apucarana, no norte do Paraná, é investigado pela Polícia Civil por pedir drogas para os clientes presos em penitenciárias em troca de serviços prestados por ele. De acordo com a polícia, mensagens encontradas no celular do profissional detalham que parte dos honorários cobrados era paga com drogas.

O advogado Eduardo Fegury foi preso em agosto após ser flagrado entregando celulares para clientes dele dentro do presídio da cidade. Câmeras de segurança filmaram quando Fegury retira celulares escondidos na cintura e passa os aparelhos por um buraco na parede do parlatório, que foi aberto pelos próprios detentos.

Os agentes penitenciários viram toda a ação e chamaram a polícia. Nesse caso, ele foi indiciado por associação criminosa e liberado logo depois pela Justiça.

Agora a Polícia Civil quer saber se o advogado tem relações com o tráfico de drogas. Conforme as investigações, as cobranças eram feitas por mensagens de celular.

Em uma das conversas um cliente preso diz: “Então chega mais dois aí por mil”. Segundo a polícia, o detento se refere a dois aparelhos de celular. Na continuação da conversa, o preso continua: “Aí depois vou mandar a branca para você e o dinheiro junto”. Branca é cocaína, ainda conforme a polícia.

Em outra conversa, Eduardo Fegury pergunta: “Mas e aí você não consegue a kriptonita?”. Kriptonita, também segundo a Polícia Civil, é o código para dizer crack misturado com maconha. No final o preso responde: “Vai chegar hoje para mim parça, vou mandar”.

Além de mensagens dos presos, o advogado também conversava com parentes dos clientes. Em uma mensagem encontrada pela polícia, a irmã de um dos detentos pergunta: “Quero saber quanto você quer para por um radinho para dentro para o Ricardo”. Radinho é o que os presos chamam de telefone celular. Então, Figure responde “800, pode ser”.

"Há todos os indícios que ele usava essas drogas que cobrava dos detentos para vender. Ele [Fegury] exigia droga de qualidade, porque os clientes dele seriam exigentes", detalha o delegado José Aparecido Jacovós.

A Polícia Civil também vai pedir a Ordem dos Advogados do Brasil que casse o registro do advogado. Como ele responde ao primeiro processo em liberdade, o profissional continua visitando os presos, que são clientes dele, no mini presídio de Apucarana.

"Se for constatado crime, o Eduardo vai sofrer as penalidades criminais e também as penalidades administrativas da OAB, podendo inclusive ser excluído", explica o presidente da OAB em Apucarana, Adriano Gameiro.

A reportagem não encontrou o advogado Eduardo Fegury no escritório onde ele trabalha em Apucarana, e o profissional também não atendeu os telefonemas.

Fonte: G1
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