Aos policiais, a mulher de 44 anos disse que foi sequestrada na segunda-feira (31) e foi forçada a ficar dando voltas pelo DF (veja detalhes abaixo). Ela já tinha uma medida protetiva contra o homem e tinha assistência da equipe do Policiamento de Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid).
De acordo com o Ministério Público do DF, a audiência era para discutir a relação da mulher com o homem que a fez refém.
As imagens mostram que a mulher estava dentro de um carro. Enquanto o homem estava de cabeça baixa, a vítima virou a câmera do celular para mostrar que estava acompanhada dele.
"Tudo bem com a senhora?", perguntou a promotora. Apesar de responder que estava bem, a mulher balançou a cabeça negativamente.
"A senhora está em um carro. Está estacionada onde?", continuou questionando a promotora. Após a vítima responder que está em Taguatinga, o homem interveio: "é videoconferência. Não quero saber de conversa, não."
Nas imagens, é possível ver que o homem tentava se esconder da câmera. Enquanto isso, ele usava um dos fones de ouvido para escutar o que acontecia durante a audiência. Em outro momento, a mulher virou a câmera outra vez para tentar mostrar onde estava.
Prisão
A chamada terminou antes do fim da sessão. Então, os membros do Ministério Público, do Tribunal de Justiça e da Defensoria Pública perceberam que a mulher estava, na verdade, sendo vítima de um sequestro e sendo coagida. Um mandado de prisão contra o homem foi emitido e a Polícia Militar, acionada.
O carro do suspeito foi localizado na DF-457, sentido Samambaia. A câmera da viatura da PM registrou a abordagem.
Aos policiais, a mulher disse que foi sequestrada na noite da segunda-feira (31), em frente a um supermercado no Recanto das Emas. A vítima foi levada à força para um hotel em Valparaíso, em Goiás. Já na manhã de terça, o homem obrigou a mulher a entrar no carro e ficou circulando no DF. Ainda segundo ela, o ex-companheiro estava em surto.
O casal estava separado, e ela já tinha um medida protetiva contra ele. Segundo a PM, a equipe do Policiamento de Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid) prestava apoio regular à vítima.
O homem foi levado para a delegacia de Taguatinga. Segundo a polícia, ele já tinha antecedentes criminais por outros crimes relacionados à violência doméstica.
Onde denunciar casos de violência contra mulher?
• pelo número 180, que é gratuito.
• pelo site da Ouvidora Nacional dos Direitos Humanos, do Governo Federal;
• pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil;
• pelo número 190 da Polícia Militar em caso de emergência;
• registre a ocorrência em uma delegacia de polícia, de preferência nas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam);
• entre em contato com os Centros de Referência da Mulher para suporte psicológico, orientação jurídica e acolhimento.
Por Neila Almeida, TV Globo
Fonte: g1